Cidade Elevada no Rio de Janeiro | Projeto de Corbusier

Em 1929, quando o arquiteto francês, Lê Corbusier esteve pela primeira vez no Brasil, este fez um projeto não solicitado, sendo um estudo urbanístico e arquitetôncio, teórico e conceitual para a Cidade do Rio de Janeiro. Sua idéia era construir uma cidade elevada, contínua e prolongada acompanhando a orla do Rio de Janeiro. Na verdade seria um grande edifício predominântemente horizontalizado, contínuo e curvilíneo, onde os proprietários de cada lote artificial em plano elevado teriam flexibilidade para construir suas moradas em forma de apartamentos ajardinados.

estudo-urbanistico-rio-de-janeiro-vista-geral-e-perspectiva-da-construcao-1929-le-corbusier-250pxNesta página voce vê em croquis de Le Corbusier a planta de situação, uma perspectiva da idéia no cenário e paisagem da cidade, e também uma perspectiva do edifício que seria ao mesmo tempo uma “Cidade Jardim verticalizada” com linhas contínuas curvas, composto de uns 12 andares sobre pilares ou pilotís, com sugestão dos apartamentos construídos.

O projeto seria inviável para época por questões de custos, e sua idéia seria, se realizado seria construído ao longo dos anos, em acréscimos, de acordo com as necessidades da cidade,  em cenário ideal onde todas as administrações que se sucedessem fossem dar continuídade.

Algo mais modesto, que foi construído posteriormente, que parece ter sido de alguma forma inspirado ou aludido à este projeto, mas em proporções diminutas se comparado ao mesmo, seria o Conjunto do Pedregulho e o popularmente conhecido “Minhocão” ao lado da PUC, ambos projetados pelo arq. Affonso Eduardo Reidy.  Entretanto, os projetos de Reidy foram pensados em termos de condomínio, o projeto e enfoque conceitual de Le Corbusier era também urbanistico. Parecia não haver uma ruptura entre o que é morada e o que seria cidade construída. Tudo faria parte de um mesmo mecanismo integrado.

estudo-urbanistico-rio-de-janeiro-planta-situacao-1929-le-corbusier-250pxAbaixo, à seguir, o também arquiteto Lúcio Costa fala sobre e descreve este projeto visionário. Suas palavras vem de uma entrevista concedida para a Arquitetura Revista. Então abaixo, está o extrato de texto que fala sobre esta idéia fantástica e visionária para aquela época e até para os dias de hoje.

AR — E o projeto para a orla marítima? Ele percebeu que a cidade estava crescendo…

LC — Projeto então considerado uma extravagância… Foi na l? viagem, em 29. Teria sido uma obra de tal porte que seria impossível levar avante com as administrações se sucedendo. Teria que haver uma grande convicção para dar seguimento.

AR — Era praticamente uma cidade nova, sobre o Rio de Janeiro.

LC — Sim, a ideia era deixar tal qual o que havia e fazer uma cidade nova, uma cidade alta que não afetasse a existente. Fazer aquele viaduto a cerca de vinte metros de altura, com uma estrutura robusta, e sobre essa estrutura uma estrutura de concreto ou metálica, leve, para criar os terrenos artificiais. Depois cada um fazia dentro desse arcabouço arquitetonicamente definido o que bem entendesse. Existe um desenho em perspectiva, você vê os andares, cada apartamento com sua fachada, recuada do paramento externo, tinha até uma mourisca! Cada um podia fazer como quizesse, sem prejudicar o conjunto, estava tudo entalado, enquadrado na estrutura. E dava a possibilidade tanto à iniciativa privada quando à municipalidade de atacarem a obra, por segmentos. Um empresário qualquer tomava a iniciativa, construía uma sequência de 10 ou 15 prumadas. A altura não era muito grande, acho que 12 andares de terrenos artificais para fazer apartamentos. AR — Era um projeto caríssimo?

LC — A questão era a seguinte: ele viu logo que fatalmente o problema de habitação iria surgir. A cidade ia crescendo, todo mundo querendo ter vista livre, afluindo para a zona sul. Então era preciso conciliar as duas coisas. Com esse empreendimento ela resolvia também parte da ligação viária, era como se fosse um metro aéreo tendo de espaços em espaços as descidas, as prumadas, com aqueles elevadores de grande porte, elevadores em estações que estivessem de 500 em 500 metros ou de l em l km, dependendo da conveniência, e várias rampas de acesso. AR — Na verdade não executaram num esse plano nem nenhum outro. Ele estava falando isso em 29, quando não havia nenhum prédio alto no Rio.

LC — Sim, não havia então nenhum prédio de apartamentos. Era uma visão prospectiva, proposta de poeta, uma coisa lírica. E a cidade acabou crescendo de qualquer jeito. Era uma fatalidade, a força viva é enorme de modo que cada administração tinha que ir resolvendo os problemas.

AR — Essa proposta, do arcabouço, da estrutura dada pelo ar-quiteto, com o recheio feito à vontade pelo cliente, parece ser uma das propostas mais extraordinárias de arquitetura moderna, uma coisa extremamente revolucionária.

LC — Ele tinha pensado numa visão para o mar e outra para a montanha. O desenho é muito bonito, muito sugestivo. AR — Ele fez o projeto sem pedido, sem encomenda? LC — Sim, foi ele que bolou espontaneamente essa ideia louca e bonita, coisa teórica, coisa lírica. Para tornar-se praticável o tráfego na cidade alta devia ser todo eletrificado — bondes e metro — e, junto com o comércio, instalado na primeira plataforma e nunca na cobertura. Os carros ficariam em estacionamentos térreos e subterrâneos, nas prumadas de acesso. Não havia automóveis nem ônibus na cidade alta; não haveria poluição…

Referências e fonte principal de pesquisa: Arquitetura Revista, de 1987

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